NASA usou foguete reutilizável da empresa de Jeff Bezos, da Amazon

Elon Musk gosta de um holofote. Sua empresa aeroespacial fundada em 2002, a SpaceX, tem virado de ponta cabeça o mercado aeroespacial nos últimos anos, colecionando uma série de feitos inacreditáveis – como catapultar um carro rumo à órbita de Marte e depois fazer os foguetes que impulsionaram a engenhoca voltarem à Terra e pousarem na vertical. Os planos para o futuro são ainda mais ambiciosos, e Musk faz questão de torná-los públicos.

Já a Blue Origin prefere atuar de forma mais discreta. Desde 2000, a companhia espacial criada por Jeff Bezos, o bilionário dono da Amazon, tem desenvolvido tecnologias parecidas com as da SpaceX para baratear radicalmente o custo de acesso ao espaço. Esses lançamentos low cost só são possíveis graças aos foguetes reutilizáveis, aqueles que botam sua carga lá em cima, retornam à plataforma para um pouso suave e, após alguns reparos, estão prontos para a próxima missão. Na última quarta-feira (23), a Blue Origin realizou o décimo voo de seu foguete New Sheppard.

O lançador partiu das instalações de teste da empresa no oeste do Texas e alcançou uma altura de 107 quilômetros — sete acima da Linha de Kármán, tida como a fronteira entre a atmosfera terrestre e o espaço. Oito cargas de pesquisa e tecnologia da NASA estavam a bordo da cápsula, que foi ejetada momentos após os dois minutos e meio de queima do motor. Depois de atingirem a altura máxima juntos, o foguete pousou a três quilômetros do local de lançamento, seguido pela cápsula e seu paraquedas.

Toda a missão durou 10 minutos e 15 segundos. Foi o primeiro voo desde julho do ano passado e o quarto deste New Sheppard, que é o terceiro fabricado pela empresa: o primeiro explodiu em 2015 durante um acidente no pouso e o segundo foi aposentado. A Blue Origin está finalizando seu quarto foguete, este preparado para transportar turistas em voos suborbitais. Ao contrário de Musk, que trabalha com prazos agressivos e frequentemente se vê obrigado a adiá-los, Bezos é daqueles que deixam acontecer naturalmente.

“Queremos fazer no nosso tempo. Queremos acertar nisso”, disse Ariane Cornell, diretora de vendas da empresa que apresentou a transmissão do lançamento. “Como sabem, na Blue Origin seguimos uma abordagem conservadora, somos pacientes, queremos construir o sistema de voo humano mais seguro e confiável para vocês.” De acordo com Cornell, é possível que já no final de 2019 a companhia comece a lançar turistas e cientistas ao espaço.

Sua principal concorrente no mercado do turismo espacial suborbital é a Virgin Galactic, do bilionário britânico Richard Branson, que já vendeu centenas de bilhetes para pessoas que desejam voar a bordo da nave em forma de avião SpaceShipTwo por US$ 250 mil. Cornell disse que o pessoal da Blue está tão focado em aperfeiçoar o sistema que eles ainda não sabem quando vão disponibilizar passagens espaciais no mercado, nem por quanto.

Cada cápsula abrigará até seis passageiros, agraciados com uma experiência de gravidade zero que dura de três a quatro minutos, além de vistas espetaculares do planeta Terra através de seis enormes janelas. A Blue Origin jura, diga-se de passagem, que são as maiores janelas da história da exploração espacial. Mesmo que os voos comerciais turísticos atrasarem mais um pouco, lançamentos como o do último dia 23 provam que o foguete New Sheppard não se limita ao turismo — e também já está preparado para gerar alguma renda prestando serviço para o governo dos EUA.

Fonte: Super Interessante

Wagner Marcelo

Atua profissionalmente como arquiteto de inovação, gera e fomenta ecossistemas empreendedores e tecnológicos, hoje somados são mais de 400 mil pessoas em sua rede. Tem como missão o desenvolvimento de negócios disruptivos.

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