LightSail 2 abre sua vela solar para se mover pelo espaço sem combustível

Conforme planejado, nesta terça-feira (23) os controladores da LightSail 2, nave da Sociedade Planetária desenvolvida a partir de um conceito apresentado por Carl Sagan nos anos 1970, implementaram a vela solar da espaçonave. Desta maneira, a partir de agora ela testará no espaço a tecnologia que visa mover pequenas naves pelo espaço sem o uso de combustíveis, contando apenas com a luz do Sol.

Lançada em junho, a LightSail 2 vinha enviando belas fotos da Terra vista de longe enquanto tinha seus sistemas e equipamentos controlados nos preparativos para a abertura da vela solar, o que acaba de acontecer.

A nave é um CubeSat medindo apenas 30 centímetros, mas, com a vela solar totalmente aberta, suas dimensões sobem para o tamanho de um ringue de boxe. A ideia desta missão é testar justamente a viabilidade de pequenas naves e satélites usarem o impulso da luz solar para se moverem, eliminando, então, a necessidade de usar combustíveis. Isso significará não somente uma economia de dinheiro em futuros lançamentos (caso a tecnologia se mostre confiável e eficaz), como também permitirá a liberação de espaço para que naves e satélites levem consigo ainda mais instrumentos e sensores.

A Sociedade Planetária ainda vai receber imagens reais da implantação da vela solar no espaço, o que deverá acontecer nos próximos dias, assim que a nave estiver dentro do alcance de uma estação de comunicação terrestre.

No Twitter, a Sociedade Planetária explicou um pouco mais sobre a tecnologia: “A implantação da vela é um procedimento manual, em duas etapas, iniciado pela equipe de sistemas de solo. Primeiro, a equipe deve ‘armar’ a vela para a implantação e, em seguida, enviar o comando para desdobrar a vela. Se tudo correr bem, a telemetria deve mostrar o aumento da contagem de motores”.

A equipe postou várias imagens da telemetria mostrando que tudo correu bem, de fato.

Veja aqui os dados atualizados sobre a situação da LightSail 2.

Tecnologia solar espacial

A vela do LightSail 2 é na verdade um sistema de quatro velas triangulares menores que formam um grande quadrado quando abertas. No total, a vela mede cerca de 31,5 metros quadrados.

Ela utiliza o momento dos fótons do Sol para se locomover – eles refletem na superfície da vela e a impulsionam. Como não há resistência no vácuo, a sonda pode ficar mais e mais rápida com o tempo.

A vela funciona para direcionar a sonda da mesma forma que a de um barco. Também pode ser usada para elevar a órbita da espaçonave e para alcançar velocidades que um foguete jamais conseguiria. Existem limites, claro; quanto mais longe do sol estiver a vela, menos fótons a atingem e sua taxa de aceleração diminuirá.

Ainda sim, pelo poder e utilidade desta tecnologia simples, velas solares são poderosas ferramentas para jornadas longas.

Outras empreitadas

No futuro, a empresa Breakthrough Starshot quer mandar uma sonda de velas solares para a nossa vizinha, Alpha Centauri, a estrela mais próxima do sistema solar.

Para isso, não poderiam contar apenas com os fótons do Sol, mas também precisariam de uma série de lasers para acelerar a sonda a 20% da velocidade da luz.

Mesmo assim, ela ainda levaria 20 anos para chegar lá, tendo em vista que Alpha Centauri está a 4,37 anos-luz de nós.

Fontes: Canaltech e Hypescience

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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