A ciência provou que duas pessoas não veem o mundo do mesmo jeito

Você já se perguntou se os outros enxergam o mundo como você? Pois saiba que duas pessoas olhando exatamente para a mesma cena podem não estar vendo-a do mesmo jeito. Cientistas batizaram esse efeito de “fingerprint of misperception”, algo como “impressão digital da falsa percepção”, em tradução livre. Pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, descobriram que há variações naturais na visão de cada indivíduo, ao identificar a localização, o tamanho e os detalhes dos objetos.Uma série de experimentos com nove pessoas revelou diferenças dramáticas no que cada uma enxergava. O estudo completo sobre a pesquisa foi publicado no jornal Proceedings da revista Royal Society B.

Foram conduzidos três experimentos para testar como as pessoas viam os objetos de uma mesma cena, exatamente do mesmo ponto de vista. No primeiro, os participantes tinham de apontar, na tela de um computador, a localização de um alvo circular. Depois, eram exibidas duas linhas minimamente separadas uma da outra, e eles precisavam dizer qual estava à direita e qual estava à esquerda. Por último, para avaliar a percepção de tamanho, eles olhavam uma série de arcos variados e deviam estimar seus comprimentos. O resultado? Cada pessoa enxergou a mesma cena de maneira diferente. Os dados foram mapeados para criar uma “impressão digital da falsa percepção” de cada participante. Segundo os cientistas, essas variações são resultado da maneira como cada cérebro processa os estímulos visuais. No entanto, ainda não se sabe qual é a rede neural responsável pelo efeito.

“Embora nosso estudo sugira que a fonte de nossas deficiências visuais esteja em nosso cérebro, investigações mais profundas são necessárias para revelar a base neural por trás disso”, disse a autora Zixuan Wang, estudante de doutorado em psicologia, em um comunicado da universidade.

“Nós assumimos que nossa percepção é um reflexo perfeito do mundo físico ao nosso redor, mas esse estudo mostra que cada um de nós tem uma impressão digital visual diferente”, disse Wang. Os pesquisadores acreditam que essa descoberta tem reflexos em tudo que requer uma visão precisa: esportes, medicina, tecnologia, transportes. Por exemplo, uma pessoa dirigindo que precisa avaliar espaços apertados ou desviar de pedestres; um juiz de futebol que tem de julgar corretamente um lance. “Em uma partida de tênis, o árbitro precisa dizer se a bola bateu dentro ou fora da quadra. Um erro tão pequeno quando meio grau no ângulo visual, uma discrepância milimétrica na retina dele, pode influenciar o resultado da partida”, disse Wang.

Há, também, um aspecto comportamental da visão: ao longo da vida, nos treinamos para coordenar nossos atos em relação ao que enxergamos, como, por exemplo, pegar uma caneca que está em cima da mesa. Para a autora, o mais importante é “como nos adaptamos e compensamos esses erros”.

Fonte: Uol/Tilt

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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