Um olhar sobre o mundo, por José Goldenberg

Quando um físico que foi professor em Stanford, reitor da USP, presidente da SBPC, CESP, CPFL, Congás, Eletropaulo, Secretário de Ciência e Tecnologia, Ministro da Educação e Cultura, Meio Ambiente, Saúde, organizador da Rio 92 – a mais importante Conferência sobre Meio Ambiente Mundial e atual presidente da FAPESP, Prof. Dr. José Goldenberg, diz que o Brasil precisa investir fortemente em energia solar, é porque precisa.

Em recente entrevista ao programa Um Olhar Sobre o Mundo, da TV Brasil, Goldenberg, aos 90 anos, explica calmamente que apesar da matriz energética brasileira ser constituída de cerca de 45% de fontes renováveis, o que nos deixa bastante confortáveis diante do panorama mundial (veja as figuras 1 e 2), nossa matriz elétrica ainda é essencialmente hidroelétrica, o que nos têm trazido problemas ambientais e sociais devido à necessidade da construção de grandes reservatórios (ver figura 3).

 

Gráfico dos percentuais das fontes: petróleo e derivados 36,5% derivados da cana 17,5% hidráulica 12,6% Gás natural 12,3%

Figura 1 – Matriz Energética Brasileira em 2016. Fonte: http://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica , acesso em 03/07/18.

Gráfico de percentuais: Brasil 57% não renovável e 44% renovável Mundo 86% não renovável e 14% renovável

Figura 2 – Comparação entre a matriz energética brasileira e a mundial. Fonte: http://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica, acesso em 03/07/18.

Gráfico dos percentuais das fontes: hidráulica 68,1% gás natural 9,1% biomassa 8,2% solar e eólica 5,4%

Figura 3 – Matriz elétrica brasileira em 2016. Fonte: http://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica, acesso em 03/07/18.

O professor ressalta o crescimento da disponibilidade de energia eólica principalmente no nordeste do país, mas insiste nas vantagens da instalação do sistema fotovoltaico individualmente, já que o usuário fica dispensado dos impostos que hoje correspondem a 40% do valor da conta, mesmo que o custo inicial seja alto.

E falando em custo inicial, o professor chama a atenção dos grandes empresários brasileiros: preferem investir em Bolsa de Valores que investir em um programa robusto de estímulo à geração de energia solar — aproveitando a condição natural de país tropical e ensolarado.

A entrevista também aborda questões relacionadas ao Lítio – necessário para as poderosas baterias que alimentam e alimentarão os carros elétricos e tantos outros dispositivos – abundante na Bolívia, mas explorada por empresa alemã.

E como presidente da FAPESP, ressalta a importância do apoio à inovação para o desenvolvimento do país, particularmente a inovação produzida em pequenas empresas, as STARTUPs: “Na FAPESP, fazemos um grande esforço nesse sentido, principalmente com o programa PIPE [Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas], porque a inovação surge principalmente nas pequenas empresas, não nas grandes. É preciso apoiar os jovens que saem das boas universidades para que eles desenvolvam suas ideias e seus produtos inovadores”, disse.

 

Vale a pena assistir:

Um olhar sobre o mundo, TV Brasil, 25/06/2018.

 

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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