Pequenos reatores modulares prometem reviver fortunas na indústria de energia nuclear.

Começou a corrida para desenvolver uma nova geração de pequenos reatores nucleares subterrâneos que só precisam ser reabastecidos uma vez a cada dez anos.
Reatores modulares pequenos – ou SMRs, como são conhecidos em inglês – são vistos pela indústria de energia nuclear como a tecnologia mais promissora do futuro porque evitam muitos dos problemas de segurança de usinas muito maiores, e também são mais fáceis e rápidos de construir.
No subsolo eles seriam menos vulneráveis a ataques terroristas e teriam sistemas de resfriamento que poderiam mantê-los em segurança durante sete dias sem intervenção humana.
A indústria já tem 20 projetos competindo. Alguns imaginam os reatores trabalhando em conjunto com fontes renováveis de energia, para fornecer eletricidade para comunidades distantes que atualmente dependem de geradores a diesel. Isso reduziria a poluição local e combateria a mudança climática.

Maior não é melhor?

A tendência da indústria nuclear até o momento era construir reatores cada vez maiores. Atualmente espera-se que o maior de todos eles, o Reator Europeu Pressurizado (EPRS), produza 1.600 megawatts (o consumo diário médio de eletricidade de uma casa nos Estados Unidos é 1.200 watts), mas ele encontrou problemas. Os dois reatores em construção na Finlândia e na França estão com um atraso de anos, e estouraram o orçamento.
A indústria alega que os novos reatores evitariam as preocupações com segurança associadas ao acidente de Fukushima, no Japão, porque são menores e mais simples. Eles também serão produzidos de fábrica como conjuntos de montar, prontos para serem construídos in loco, e assim evitar os atrasos nas obras e os vastos custos de capital de grandes reatores.
Para ser classificada como SMR, a nova geração de reatores terá que produzir menos de 300 megawatts, e alguns projetos menores produzirão apenas 25 megawatts – aproximadamente a mesma quantidade de energia produzida por cinco turbinas eólicas grandes.


Dois  fabricantes de reatores (SMR) são as empresas norte-americanas, Hyperion (esquerda) e o novo projeto Babcock & Wilcox (direita). Fonte: https://newenergyandfuel.com/http:/newenergyandfuel/com/2009/08/27/small-nuclear-reactors-get-a-boost/

Mais uma salvação para a indústria?

Críticos da tecnologia nuclear continuam céticos em relação a mais um plano para reviver a indústria, que se tornou pouco popular após o acidente de Fukushima e pouco econômica em relação à maioria dos outros combustíveis, particularmente nos Estados Unidos, onde a gasolina é muito acessível.
Mesmo assim, o maior interessado nesses reatores é o próprio governo dos Estados Unidos. O país está fornecendo 50% dos custos de desenvolvimento para competir com a Rússia e a Coreia nessa área, e acredita que exista um grande mercado para pequenas usinas que possam ser construídas em uma fábrica e depois transportadas para qualquer lugar onde sejam necessárias.
Os russos estão oferecendo uma versão dos reatores que usam para abastecer submarinos nucleares, e vão montá-los em balsas para serem transportados e ativados onde forem necessários. Eles também se oferecem para levar os produtos de volta à Rússia ao fim de seu uso, sem deixar um legado de resíduos para o cliente.
Uma das empresas americanas, a Gen4 Energy, está desenvolvendo um reator de 25 megawatts que, de acordo com a empresa, seria perfeito para fornecer energia para 170 das pequenas ilhas do mundo, e para mais de 100 instalações remotas do governo dos Estados Unidos que precisam de energia. A empresa declara que essa eletricidade seria muito mais barata que a produzida por geradores a diesel – além de mais favorável ao clima.
Parte do apelo dos novos projetos é que eles podem ser enviados na forma de conjuntos de montar e serem instalados em localizações remotas para alimentar fábricas, minas, bases militares, ou para ajudar comunidades não conectadas à rede elétrica.
Eles também podem ser usados em grupos de três ou quatro, sendo reabastecidos para que não haja suspensão no suprimento de energia. Além disso, os reatores poderiam ser ligados a redes locais para serem usados em conjunto com fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar.

Estimativa otimista

Ao contrário de seus primos gigantes que são projetados para funcionar o tempo todo e fornecer grandes quantidades de eletricidade para grandes redes de energia em países industrializados, os produtores alegam que esses novos reatores podem reduzir sua saída de energia para se adequar a flutuações na demanda e a contribuições intermitentes de fontes renováveis.
A estimativa mais otimista da Associação Nuclear Mundial é que poderia haver até 96 SMRs em funcionamento até 2030 ainda que, de acordo com a avaliação da associação, nenhum deles ficasse nos Estados Unidos.
Mas os Estados Unidos têm outras ideias, e nos últimos dois anos investiram US$452 milhões para financiar os custos de desenvolvimento de dois projetos concorrentes de duas das empresas que promovem a tecnologia: a NuScale e a Gen4 Energy.
Esses dois projetos e muitas outras ideias concorrentes para SMRs estarão expostas na Conferência de Reatores Modulares Pequenos, em Charlotte, na Carolina do Norte.

Fonte: Scientific American Brasil 

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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