Um pequeno satélite está revolucionando o setor espacial. Chama-se CubeSat

Apesar das pequenas dimensões do CubeSat, o satélite é capaz de efeitos extraordinários que estão a revolucionar o setor espacial.

Os avanços da microeletrônica das últimas décadas permitiram desenvolver sistemas espaciais eficazes, de forma mais rápida e com menos custos. Um três em um que está a revolucionar o setor espacial.

A nova classe de satélites pequenos (mini-satélites, micro-satélites, nano-satélites, pico-satélites, etc) nasceu e permitiu alargar o acesso ao Espaço para novos mercados e indústrias, impulsionando também o investimento do setor privado.

O acesso ao Espaço ficou restrito, por mais de 50 anos, a nações e corporações com elevado poder financeiro e tecnológico, mas tudo mudou em 1999, aquando do desenvolvimento do CubeSat – o primeiro “standard” de satélite, aceite universalmente.

Segundo o canal Bit2geek, citado pelo Sapo 24, cada unidade de CubeSat (1U) representa um cubo padrão de 10 cm de lado e cerca de 1,3 kg de massa. Estas unidades podem ser combinadas de maneira a formar sistemas maiores e mais capazes (2U, 3U, 6U, 12U).

Além disso, foi também padronizado um sistema para lançamento destes CubeSats. O P-POD (“Poly Picosatellite Orbital Deployer”) é um contentor capaz de transportar unidades de CubeSats dentro de foguetes.

Como a maior parte dos foguetes tem excesso de capacidade, é possível levar estes CubeSat na carona de outros satélites científicos ou comerciais de maiores dimensões. No Espaço, os P-PODs lançam os CubeSats em órbitas específicas. Isto traduz-se numa redução considerável de custos de lançamento.

No início, os CubeSats foram concebidos com o objetivo de se tornarem uma ferramenta educacional para estudantes de engenharia, mas esse paradigma mudou, transformando-se num dos pilares em aplicações comerciais espaciais e em plataformas de demonstração tecnológica da comunidade científica.

Graças aos baixos custos e rapidez do processo de desenvolvimento, estes pequenos satélites têm ainda a capacidade de formar grandes constelações de satélites com um potencial para atingir desempenho comparável ou maior do que os satélites tradicionais. Além disso, revelam também um enorme potencial para comunicações e tecnologia 5G.

As áreas de intervenção vão da agricultura às pescas, monitorização de infraestruturas ou até desenvolvimento urbano, defesa e segurança.

Atualmente, Portugal encontra-se a desenvolver capacidades que permitam entrar na nova corrida espacial. Para muito breve, está prevista a construção de uma plataforma de lançamento de foguetes nos Açores, que permitirá lançar estes pequenos satélites para o Espaço.

Além disso, planeia-se construir uma constelação de nano e micro-satélites para monitorização e desenvolvimento da área atlântica – o projeto Infante – que será o primeiro satélite 100% português a ser desenvolvido com iniciativa de várias empresas e entidades portuguesas, cofinanciado por fundos comunitários.

Fonte: ZAP

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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