Uma tempestade solar detonou as minas da Marinha dos EUA durante a Guerra do Vietnã.

O clima espacial rigoroso fez com que dúzias de bombas marinhas explodissem, revelaram documentos encontrados recentemente.

Nós vivemos na superfície de uma pequena rocha na vizinhança imediata de uma bola mortífera de plasma que nos dá a energia necessária para sobreviver, mas que também poderia engolir nossa morada sem hesitar.

Às vezes essa bola de plasma causa problemas. Como explodir um monte de minas submarinas durante a Guerra do Vietnã, de acordo com um artigo publicado em 25 de outubro na revista Space Weather.

“Clima espacial” é um termo coletivo para as várias rajadas energéticas que o Sol periodicamente vomita, imprevisivelmente, em nossa direção. Essas rajadas são geralmente suaves, mas podem também ser bastante poderosas. Os cientistas não sabem exatamente com que frequência elas ocorrem, e essas bolhas de energia têm o potencial de causar vários tipos de danos, desde fritar a infra-estrutura global de satélites até desordenar drasticamente a vida na Terra. O exemplo mais poderoso já registrado foi estudado em 1859, e seus efeitos foram notados principalmente por astrônomos, telegrafistas e pessoas que viram as estranhas auroras que se criaram ao sul. Se isso acontecesse em nossa era moderna e cheia de eletricidade, as consequências seriam muito mais sérias.

Houve grandes incidentes climáticos espaciais desde então, embora nenhum na escala do evento de 1859. E os pesquisadores ainda estão descobrindo a extensão do seu potencial de danos. No artigo sobre o Clima Espacial, os pesquisadores descobriram antigos registros da Marinha que sugerem que uma famosa tempestade solar em 1972 foi ainda mais séria do que eles imaginavam.

“Entre 2 e 4 de agosto de 1972 [uma mancha solar] produziu uma série de explosões brilhantes e ejeção de material dirigido para a Terra”, escreveram eles.
Essas chamas abriram caminho para “o choque ultra-rápido subseqüente… que atingiu a Terra em tempo recorde – 14,6 horas”. Pessoas de todo o planeta notaram os efeitos dessa rajada.
“Blecautes no sistema de rádio… ocorreram em minutos. As emissões de raios-X do surto de longa duração permaneceram [altas] por [mais de] 16 horas. Pela primeira vez, um detector espacial observou raios gama durante uma erupção solar. [Especialistas] classificaram a rajada no Índice Abrangente de Rajada como sendo de nível 17 – o nível mais alto – e designado apenas para rajadas mais extremas e de amplo espectro”, escreveram, acrescentando que “a aurora espetacular`, brilhante o suficiente para projetar sombras, apareceu  na costa meridional do Reino Unido … Dentro de duas horas, os pilotos de linhas aéreas informaram que a aurora havia chegado até o sul de Bilboa, na Espanha”.

Os pesquisadores descobriram mais tarde que a rajada causou danos aos painéis solares nos satélites espaciais; um satélite de comunicações de defesa “teve sua missão terminada devido a uma falha de energia” e os sensores da Força Aérea foram ligados, sugerindo falsamente que uma bomba nuclear havia sido detonada em algum lugar do planeta.

“Este é apenas um entre poucos eventos na era espacial que representaria uma ameaça imediata à segurança dos astronautas”, escreveram os pesquisadores, “se humanos estivessem a caminho da Lua na época”.
E, de alguma forma, em meio a todo esse drama, os pesquisadores do clima espacial haviam ignorado uma outra conseqüência da tempestade: “a súbita detonação de um `grande número` de minas marítimas da Marinha dos EUA que haviam caído nas águas costeiras no norte do Vietnã do Norte apenas três meses antes.”
Pilotos os sobrevoando a área observaram cerca de duas dúzias de explosões em um campo minado em apenas 30 segundos, segundo os pesquisadores.
Investigadores navais concluíram que as explosões foram o resultado de uma tempestade solar que acionou sensores magnéticos em minas que haviam sido preparadas para detectar a passagem de navios de metal.
Segundo os pesquisadores, este evento levou a grandes mudanças dentro da Marinha, que rapidamente pesquisou alternativas para minas com sensor magnético que seriam mais resistentes aos efeitos solares. No entanto, essa história nunca chegou à comunidade de pesquisa sobre clima espacial.
Agora, segundo os pesquisadores, este evento ilustra o desafio moderno de descobrir como tempestades como essa (ou mais poderosas) afetariam a infraestrutura atual. E ainda não está claro, eles escreveram, que características da tempestade a tornaram tão intensa. Foi a velocidade do surto? As múltiplos rajadas abrindo caminho pelo espaço antes da rajada principal? O ambiente magnético ao redor da Terra no momento?
Ainda não está claro, eles escreveram, o que uma poderosa tempestade solar poderia fazer com satélites de uso crítico, ou quão comum ela foi. Em julho de 2012, uma grande tempestade por pouco não acertou a Terra, mas atingiu satélites próximos. Como elas se comparam?
Ainda há muitos fatores desconhecidos.

Fonte: Scientific American Brasil

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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