Pele artificial! E não é ficção.

Quem nunca se perguntou: como tubarões conseguem detectar a presença de animais a quilômetros de distância? E essa pergunta (e outras) levou milhões aos cinemas para ver  tubarões em ação!

As ampolas de Lorenzini, órgãos localizados perto da boca dos tubarões,  são capazes de detectar pequenos campos elétricos emitidos por animais na água salgada.

Nos anos 60, R. W. Murray observou que as ampolas são sensíveis a pequenas variações de salinidade e a campos elétricos fracos. Nos anos 70, Adrianus Kalmijn prova que o corpo dos animais produz campos elétricos na água do mar e que tubarões em cativeiro percebem os mesmos. E nos anos 90 até o presente, pesquisadores mostram que a eletrorrecepção ou “sexto sentido” é um sentindo ancestral. Tubarões e arraias detectam formas breves e fracas de bioeletricidade (potencial elétrico das ondas cerebrais e contrações do músculo cardíaco). E agora é possível reproduzir estes sensores fantásticos numa pele artificial. Veja a reportagem no site Inovação Tecnológica.

Pele artificial reproduz sexto sentido de tubarões em condições reais

Mas e se fosse possível substituir a pele de animais vivos em testes com cosméticos por peles artificiais?

A pesquisadora brasileira  Carolina Motter Catarino,   premiada pelo The 2017 Lush Prize, destinado a descobertas sobre testes que eliminem o uso de animais, trabalhou com células humanas extraídas a partir de amostras de pele provenientes de cirurgias plásticas ou postectomia (cirurgia para remoção do prepúcio).  Após isolar as células, elas são expandidas in vitro, de modo a gerar quantidade suficiente de células para reconstruir a pele”, explica. Para a impressão da pele o primeiro passo é preparar as diferentes bio-inks (tintas biológicas). “Essas tintas são compostas por uma mistura de proteínas presentes na pele humana, tais como o colágeno tipo I, e as células de pele previamente isoladas, como fibroblastos, queratinócitos e melanócitos”.

Os cartuchos de bio-ink são estão colocados na impressora e o processo de impressão é iniciado e controlado por um software. “Depois de impressas, as amostras de pele são mantidas numa incubadora de 12 a 21 dias para a diferenciação das camadas da pele”, descreve Carolina. “Após esse período, a pele apresenta estrutura semelhante a pele humana e que pode ser usada, por exemplo, para avaliar potencial irritante ou corrosivo, entre outros, de substancias aplicadas topicamente”.

Leia mais no Jornal da USP:

Pele impressa em 3D substitui animais em teste de cosméticos

 

 

Cristiane Tavolaro

Sou física, professora e pesquisadora do departamento de física da PUC-SP. Trabalho com Ensino de Física, atuando principalmente em ensino de física moderna, ótica física, acústica e novas tecnologias para o ensino de física. Sou membro fundadora do GoPEF - Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP e co-autora do livro paradidático Física Moderna Experimental, editado pela Manole.

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